“O REINO CONSPIRA.”

Fico imaginando como Cristo se sentiu ao receber de um de seus discípulos, o beijo que o levaria à morte. Não era um beijo de uma pessoa qualquer, mas, sim, daquele que se sentou à mesa com Ele e compartilhou de seus momentos de profecia e de tristeza. Mas se estava escrito, tinha que ser cumprido. Embora soubesse de antemão que seria traído, creio que não deve ter sido fácil olhar para o rosto de seu companheiro de milagres e ver que coube àquele, a dolorosa missão de jogar o mestre na mão de leões incrédulos.

Conta às escrituras que, envolto em grande arrependimento, aquele que o traiu, por trinta moedas, acabou se enforcando. Não sei se pela consciência pesada ou pelo que havia de se cumprir naquilo que estava escrito. Primeiro, houve uma enorme ingratidão do povo, a quem ele ensinou e curou; depois, a frieza dos poderosos que o condenou. Em que pese o lado divino de sua missão, creio que o que pesou em sua condenação, foi o ciúme dos monarcas daquela época. Foi ousado em dizer que seu Pai era o dono de tudo que havia na terra.

Diante de uma afirmativa tão ousada, não encontraram alternativas, senão condená-lo á morte. Para convencerem o povo de que Ele era um perigo para o reino, imputaram crimes jamais cometidos. Não bastasse isso, cuspiram em seu rosto e colocaram uma coroa de espinho em sua cabeça. Não sei se naquela época havia a Comissão dos Direitos Humanos, mas é certo de que Ele foi torturado até a morte. Se estivesse no Brasil, seus algozes seriam condenados por crime hediondo. Mas como no Brasil, os mensaleiros serão absolvidos; creio que os torturadores do Mestre, também seriam absolvidos.

Mas o que me preocupa, não é a absolvição dos torturadores de Cristo e nem os mensaleiros de Brasília, mas, sim, a explícita conspiração lançada contra a inocência de um homem de conduta irrefutável. Para mim, não existe algo mais precioso para um homem, do que sua honra e sua dignidade. Podem encarcerar o meu corpo, mas, jamais, colocar em dúvida a minha moral. A história que um homem escreve ao longo de sua vida, não deve ser maculada por calúnia ou descrédito de sua capacidade intelectual.

Causou-me grande indignação, quando eu soube que mensageiros da corte, agindo na calada da noite, tentaram expulsar da chefia da Policia Secreta do Reino Caiçara, um policial com uma carreira ilibada e relevantes serviços prestados à sociedade. Nunca antes na história daquele reino, se viu tanto empenho em acabar com a criminalidade. O que se via em todas as províncias, era a indignação de um povo, que clamava por tranqüilidade e justiça. A corrupção incrustada no reino alastrava-se por todas as esferas da sociedade, inclusive, na segurança. A cultura de que o crime compensava acabou, quando o chefe da Policia Secreta Real passou agir com imparcialidade.

Ao levar para as masmorras dos cárceres fétidos, aqueles que se achavam intocáveis, o chefe da Policia Secreta Real ganhou inimigos eternos. Para os que violavam a lei, aquilo era uma afronta e, por isso, aquele policial de merda deveria ser morto ou expulso do país. Mas como bani-lo do reino, se gozava da simpatia do povo? Como conduzi-lo ao desterro do esquecimento, se a alta cúpula nutria por ele, tamanha admiração?Sacrificá-lo em nome do crime, seria transformá-lo em mártir da justiça. Na sala de reuniões do reino, que ficava ao lado da sala do trono, reuniram-se as pessoas próximas da rainha. Ali fora traçado o destino do chefe da Policia Secreta do Reino Caiçara.

O Judas Iscariotes, representado por uma espiã de quinta categoria, conspirou contra a ordem pública e contra a segurança. Manipulada pelos assessores mal intencionados, a monarca foi ter com o governador da província. Vomitou inverdades contra o policial com o escopo de denegrir sua honra. Deu com o burro na água. Voltou com o rabo entre as pernas, pois, o que prevaleceu, foi sagrada verdade. O trabalho de uma pessoa, fala por si só.

Um dia os conspiradores subirão no cadafalso da reprovação popular e serão sacrificados na guilhotina do esquecimento. Creio que o reino jamais será entregue àqueles que se locupletam do poder e dos desmandos e, ainda, do crime organizado.

CRONISTA – ADÃO DE SOUZA

PERUÍBE – 29 DE SETEMBRO DE 2013

POSTADO PELA EQUIPE DO BOCA DE RUA

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